Momento Espírita
Curitiba, 26 de Junho de 2022
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ícone Um país longínquo, uma pronúncia impossível...

Quando assistimos, diariamente, o drama dos nossos irmãos ucranianos abandonando suas casas;

Quando vemos aqueles rostinhos infantis que olham, simplesmente olham, sem saber se terão um futuro. Ou onde será;

Quando vemos mães com seus bebês aconchegados ao peito, se indagando para onde os conduzirá o amanhã, lembramos de que já vimos isso muitas vezes.

São reprises que se alternam no mundo: os judeus que moravam em território português e, no final do século XV, foram forçados a irem para outros países.

A França assistiu ao êxodo maciço de populações belgas, holandesas, francesas, em 1940, nos meses de maio e junho, ante o avanço do exército alemão.

Foi um dos maiores movimentos populacionais do século XX, na Europa.

Com a atuação de Mao Tsé-Tung, na China, em 1958, criando o que ele denominou O grande salto para frente, muitas famílias fugiram da China.

Chi Jing Hai com sua esposa e filhas pequenas, foi um desses. Na velhice, revivendo aqueles dias de incertezas, contava:

Estávamos todos em Hong Kong, possessão inglesa, prontos para sair do país, logo após a Segunda Guerra.

A China estava em convulsão e a minha vida e da minha família corria perigo. Em Hong Kong, estávamos a salvo.

O governo revolucionário da China não poderia nos alcançar, mas por quanto tempo não sabia. A espera por um visto nos segurava ali. Um visto para sair do país.

O sonho era o visto norte-americano, com demora angustiante.

Legalmente, não poderíamos ser atingidos, mas revolucionários idealistas se infiltravam em todos os lugares.

Para espantar o medo, saraus musicais eram uma maneira elegante de nos distrair.

Numa dessas noites, um amigo trouxe consigo um padre brasileiro.

Tornar-se cristão era um meio de ser aceito no Ocidente. Naturalmente, aceitamos, minha esposa e eu.

Alguns dias depois, o padre nos ofereceu o visto para um país longínquo e desconhecido. O nome de pronúncia impossível: Brasil.

Essa foi uma das bênçãos que recebemos. Vivi o resto de minha vida no Brasil e agradeço a este país e seu povo a boa vida que tive.

*   *   *

Quando ouvimos esse depoimento, nos emocionamos. Refugiados que chegam ao nosso país, com dificuldade enorme para aprender o idioma, tão diferente.

Adaptar-se a costumes, a uma cultura totalmente diversa daquela em que cresceram, no culto dos seus antepassados.

Contudo, se adaptam. Realizam a grande transformação, absorvendo tanto quanto possam, usos e costumes tão diversos dos seus.

Estudam, trabalham, progridem e colaboram para o crescimento do país que os acolhe.

Eles são portadores de ricos conteúdos e os incorporam ao meio em que vivem.

Mais do que tudo, se mostram gratos. Aceitam as dificuldades do país, dispostos ao trabalho, à superação.

Não se voltam contra as leis. Respeitam diretrizes e normativas.

Progridem e fazem progredir a outros.

Aprendamos com eles: filhos nativos ou adotados por esta pátria, mãe gentil, sejamos gratos.

Gratos por vivermos sob as estrelas do Cruzeiro do Sul, em um país no qual nossos filhos se preparam para serem os cidadãos honrados do amanhã.

Redação do Momento Espírita
Em 22.6.2022.

 

 

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