Momento Espírita
Curitiba, 21 de Outubro de 2020
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ícone Padrasto

Lucinha era uma menina linda, mas vivia triste, apática. Mal respondia quando lhe dirigiam a palavra.

Observava seus primos, suas vizinhas, a conversar e brincar com seus pais. E mais retraída ficava.

Às vezes, era encontrada a chorar.

Dizia que todos tinham pai, somente ela não.

Por mais que a mãe tentasse lhe explicar que seu pai deixara o lar, antes do seu nascimento, ela não conseguia entender.

Ela queria ter um pai para amar. Alguém que a abraçasse quando tivesse medo de alguma coisa.

Um pai para sentir em seu rosto a aspereza da barba por fazer, um pai que ela pudesse encontrar quando voltasse da escola.

Um pai que ela idealizava. Um pai com quem sonhava.

Certo dia, viu a mãe chegar do trabalho acompanhada por um colega. Ele somente viera buscar um livro emprestado.

No entanto, ao vê-lo, Lucinha lhe correu ao encontro de braços abertos.

Mamãe, você trouxe o meu pai! Você trouxe o meu pai!

A mãe, desconcertada, não sabia o que falar.

Mas Cláudio, admirando a garota, agachou-se, envolvendo-a em demorado abraço.

Enquanto a menina mantinha seus braços em torno do seu pescoço, ele sentia as próprias lágrimas correrem pela face.

Uma profunda emoção tomou conta dele. Não entendia o que estava acontecendo. Mas lhe pareceu um verdadeiro reencontro de almas que se amam.

O tempo passou. Cláudio começou a frequentar a casa, vez ou outra. Depois, de forma mais assídua.

Um doce afeto foi sendo construído e, decorridos alguns meses, casou-se com a colega e assumiu a paternidade da menina.

Lucinha era só alegria e felicidade.

*   *   *

Ser pai, na amplidão do termo, é ter compromisso, querer amar e proteger aos que lhe são filhos biológicos. Ou eleitos pelo coração.

Pai é uma presença sentida pelas meninas como um príncipe protetor. Um super-homem no qual colocam sua confiança.

Para os meninos, é o que ele deseja ser quando crescer. É aquele que sabe tudo, que resolve tudo.

Jogar bola, andar de bicicleta, ralar o joelho, sujar-se de lama, ao lado do pai, tem um colorido diferenciado para cada criança.

Na adolescência o pai presente representa um freio a caminhos negativos, um limite importante para evitar o erro.

E cada etapa vencida na escola é orgulhosamente evidenciada, estimulada, comemorada.

Grande é a importância da figura paterna, seja ele o pai biológico ou aquele que assume a posição, em qualquer forma de adoção.

Pai, padrasto, não importa como se denomine. Sua presença significa segurança.

Em decorrência disso, recebe a gratidão e o carinho de quem se sente acolhido, aconchegado, protegido, amado.

Colhe a confiança da criança que adormece tranquila em seus braços, próxima ao seu coração que bate compassado.

Criança que crescerá, e aprenderá como deverá tratar os próprios filhos, quando se tornar adulta.

Porque o exemplo é a melhor das lições. E a experiência do amor paterno é das mais marcantes.

Benditos sejam todos os que honram a paternidade responsável.

 Redação do Momento Espírita.
Em 17.10.2020.

 

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