Momento Espírita
Curitiba, 18 de Dezembro de 2018
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ícone A semeadura e a colheita

A garota tinha pouco mais de sete anos.

Seus cabelos sedosos e claros cobriam-lhe o rosto delicado, enquanto ela corria, brincando alegre pelo jardim.

Ao ouvir o chamado da mãe, que a observava, a pequenina atendeu sorridente.

Lembra-se do grão de feijão que deixamos sobre um algodão molhado na semana passada? – Perguntou a mãe com doçura.

Sim! – Exclamou a garotinha sorrindo.

Pois eu acabei de ter uma surpresa, disse a mãe, fazendo suspense.

Ansiosa, a menina correu até uma das áreas cobertas do quintal.

Quando olhou dentro do pequenino pote, no qual haviam deixado um grão de feijão, pôde perceber que a frágil casca havia se rompido e uma haste muito branca buscava a claridade.

Ele brotou, mamãe! – Disse a menina muito satisfeita.

Ora, ora, meu amor! –Sussurrou a mãe – E o que será que vai nascer desse brotinho?

A menina olhou para a mãe, incrédula. A dúvida era tão absurda que ela acreditou não ter ouvido direito.

Diga-me, minha filha, insistiu a mãe, o que vai nascer aí?

Ora, mamãe, um pé de feijão, é claro! – Respondeu, um pouco contrariada.

Sorrindo pela reação da criança, a mãe a envolveu em seus braços e olhando-a nos olhos com ternura deu continuidade à conversa.

É verdade, minha filha. Plantamos um grão de feijão e será feijão que brotará.

Quando plantamos milho, o resultado de nossa semeadura também será milho. Se semeamos trigo, será trigo que colheremos.

Assim também acontece na vida. Quando espalhamos pelo mundo atos e exemplos nobres, serão eles que nos darão frutos mais adiante.

No entanto, quando nos limitamos a semear a discórdia e a dor, não há como obtermos uma colheita diferente disso.

Somente discórdia e dor hão de ser o resultado de nossos atos.

Como a menina escutava atenta, a mãe prosseguiu:

Às vezes, passamos nossos dias distribuindo sofrimento para aqueles que nos cercam. Então, não poderemos reclamar se não recebermos nada de bom em troca.

Um ditado popular diz que quem semeia ventos, colhe tempestades.

Isso quer dizer que seremos infelizes porque não semeamos a felicidade, em nenhum momento.

Por outro lado, se plantarmos afeto e bondade ao longo do caminho, acabaremos colhendo grandes alegrias, mais cedo ou mais tarde.

Por isso, meu amor, nunca esqueça essa simples, porém valiosa lição: cada um de nós colhe exatamente aquilo que planta.

*   *   *

Nossa vontade ativa, guiada pelo nosso livre-arbítrio, é uma das causas geradoras de efeitos mais ou menos longínquos, bons ou maus, que recaem sobre nós e formam a trama de nossos destinos.

Nossa vida pode ser comparada a um anel na grande cadeia das existências humanas.

Tudo o que semeamos haveremos de colher nessa ou em existências futuras.

Não há, portanto, como desconhecer nossas obrigações e nos esquivarmos das responsabilidades que resultam de nossos atos.

O dia seguinte será sempre o produto da véspera.

Não estamos escravizados a um destino inflexível. Pelo contrário, somos autores e senhores de nosso futuro.

Importante pensarmos a respeito.

Redação do Momento Espírita.
Em 4.10.2018.

 

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