Momento Espírita
Curitiba, 17 de Dezembro de 2018
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ícone Fazendo alguém feliz

Naquela manhã, Alice acordou cansada. Os problemas de saúde se agravavam e os medicamentos não estavam conseguindo diminuir os sintomas.

Juntou forças, levantou-se e se olhou no espelho. As olheiras e a palidez denunciavam o quanto estava debilitada.

Mesmo se sentindo mal, agradeceu ao Pai por estar viva, por ainda conseguir ter autonomia, andar, falar, se alimentar. Agradeceu por ter uma casa, uma família.

E pensou: Por mais que eu esteja debilitada, ainda posso fazer algo para ajudar alguém, fazer alguém sorrir, ficar feliz.

Mais tarde, foi a um posto de saúde para tomar um medicamento na veia, procedimento que só é feito em hospitais ou unidades de saúde.

O lugar estava bastante cheio.

Alice fez a ficha e aguardou que a chamassem.

Quando chegou sua vez, foi levada a uma sala, sentou-se e observou a enfermeira que providenciava a aplicação. Notou que ela também tinha olheiras e parecia cansada e abatida.

Pacientemente, Alice ficou recebendo o medicamento, enquanto observava o ir e vir de pacientes.

Alguns chegavam nervosos e mal falavam. Outros vinham mais tranquilos. Havia também os que demonstravam grande irritação com a demora e eram ríspidos.

A todos a enfermeira recebia com serenidade. Explicava os protocolos e executava sua tarefa.

De quando em quando, ela se aproximava e perguntava sorrindo: Como está se sentindo? Precisa de algo?

Alice ouviu trechos da conversa entre ela e uma colega e foi compreendendo seu abatimento. Estava com sérios problemas em casa.

Mesmo assim, recebia e atendia com gentileza a todos.

Terminado o soro medicamentoso, Alice olhou nos olhos da profissional e agradeceu pela atenção.

No caminho para casa, teve uma ideia. Resolveu telefonar para o Órgão responsável pela administração dos postos de saúde e disse que gostaria de registrar um agradecimento.

Como? - Perguntou, confusa, a moça que a atendeu.

Quero registrar um elogio e um agradecimento.

Diante do silêncio da atendente, Alice explicou a forma gentil com que fora tratada no posto de saúde e reiterou o desejo de deixar registrado seu agradecimento à pessoa que a havia atendido.

Se fosse uma reclamação eu poderia preencher um formulário, não é mesmo? Quero fazer a mesma coisa, mas com um agradecimento.

Seu relato sobre a forma educada, eficiente e gentil com que aquela enfermeira a havia atendido foi finalmente registrado.

O elogio foi repassado à profissional naquele mesmo dia. Ela se emocionou e chorou, pois realmente estava num período muito difícil de sua vida. Aquele gesto foi como um abraço carinhoso depois de muitas pancadas.

E assim Alice fez alguém feliz naquele dia.

*   *   *

Por mais tristes, cansados, nervosos ou preocupados estejamos, sempre poderemos fazer algo para ajudar alguém que está se sentindo como nós, ou talvez pior.

Façamos um esforço para ver no nosso próximo um ser que precisa de amor, e façamos por ele algo que gostaríamos que fizessem por nós, mesmo que seja apenas um sorriso.

Redação do Momento Espírita.
Em 31.7.2018.

 

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