Momento Espírita
Curitiba, 23 de Novembro de 2017
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Dia claro, sol a pino, lamaçal e uma flor solitária.

Gargalhando, zombeteira, a flor disse para a lama aos seus pés:

Desprezo-te e rogo ao sol que te abrase, retirando essa água imunda que te faz pútrida.

A lama silenciou.

No dia imediato, o solo estava ressequido e retalhado pelo beijo ardente do astro rei.

Na haste da planta, a antes tenra flor, morrera por falta d’água.

*   *   *

Soberba é a manifestação desse nosso falso sentimento de superioridade sobre as pessoas e também sobre as coisas.

Pode ser conhecida também como orgulho, altivez, presunção.

Exibicionista, a soberba carrega em si a necessidade de falar de todos os assuntos, de opinar sobre todas as questões e de se achar entendedora de tudo.

Muitas vezes, por mais contraditório que possa parecer, ela esconde uma alma insegura e que precisa de constante autoafirmação.

A soberba nos faz sabedores únicos do que é melhor para nós e também para o próximo, não admitindo ouvir segundas e terceiras opiniões.

Só há um ponto de vista: o seu. Só há uma verdade: a sua.

Ela nos faz utilizar com frequência as expressões Eu acho. Eu sei. Eu fiz... numa tentativa desesperada de mostrar o ego orgulhoso.

Com ela vem também a arrogância, essa forma agressiva de se posicionar, de utilizar as palavras e até de olhar para o outro.

A arrogância afasta e cria antipatia. Difícil encontrar alguém que se sinta bem ao lado de uma pessoa arrogante.

Quem tem muito e está seguro disso, não precisa ficar mostrando suas posses a todo momento.

Quem tem grandes conquistas na área do saber, não necessita exibi-las em toda oportunidade, fazendo questão de mostrar que o outro sabe menos.

Aquele que está mais adiante, quando humilde, busca guiar os semelhantes pela estrada que já percorreu, e nunca medir os quilômetros que ainda os separam.

Os humildes entendem com mais facilidade a lama que os cerca, as dores, as dificuldades, enxergando ali a água que dá vida, molhando a terra e dando-lhes oportunidade de crescimento.

Sabem silenciar quando necessário. Sabem expor sem impor. Sabem discutir sem criar divisão.

Aprendem a ouvir e a aprender com quem quer que seja, e por isso são grandes, embora se mostrem como iguais.

Não enxergam adversários ou plateias, mas sim amigos e irmãos.

Os humildes não são fracos, são discretos. São elegantes nas palavras e na postura corporal. Olham nos olhos, curvam-se e servem, não como escravos, mas como doadores.

*   *   *

Nunca disputemos projeção e destaque, recordando o ensinamento de Jesus, quando informou que os primeiros serão os últimos e esses serão os primeiros.

Afeiçoemo-nos ao anonimato, não deixando sinais do bem que façamos, a fim de que não sejamos enaltecidos, qual ocorre com muitos fúteis e irresponsáveis, que são louvados e bajulados sem mérito real.

Mas não pensemos que humildade é menosprezo, desconsideração por nós mesmos, subalternidade, escondendo conflitos de inferioridade.

A verdadeira humildade permite o autoconhecimento em torno dos valores que são legítimos no ser, sem os exaltar nem engrandecer, compreendendo o quanto ainda necessitamos para atingir o ideal, tendo o prazer de nos sacrificarmos pelo conseguir.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. Fevereiro, item 13,  do livro
Poemas de paz, pelo Espirito Simbá, psicografia de  Divaldo Pereira Franco,
ed. LEAL e na mensagem
Reflexões sobre a humildade, pelo Espírito Joanna
de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, na reunião
mediúnica
de 10.8.2015,no Centro Espírita Caminho da Redenção,
em Salvador, Bahia.
Em 19.6.2017.

 

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