Momento Espírita
Curitiba, 25 de Janeiro de 2020
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O ser humano possui inúmeras necessidades que precisam ser atendidas para se sentir pleno e feliz.

Algumas são muito elementares e perceptíveis, como alimentação, saúde e segurança.

Outras são mais sutis, mas nem por isso menos importantes.

Por exemplo, sentir-se acolhido e valorizado.

Dentre essas necessidades mais sofisticadas, encontra-se a de ser útil.

Por vezes, ela não é entendida nem por aquele que experimenta a sua carência.

No contexto da sociedade atual, abundam os passatempos e a busca pelo ócio.

As pessoas gastam longas horas em jogos, reais ou virtuais, passatempos e diversões.

São muito comuns as referências a festas que duram a noite toda.

De outro lado, valoriza-se bastante ter a cada dia mais tempo disponível.

Idealizam-se feriados prolongados, viagens e passeios.

A um olhar superficial, parece que a vida humana se destina primordialmente ao recreamento e ao nada fazer.

Contudo, entre festas e folgas, as crises existenciais e as doenças psicológicas se multiplicam.

Não se trata de negar a importância do descanso e das atividades lúdicas.

Mas de situá-las em seu devido lugar.

São o contraponto da atividade produtiva, não a finalidade do existir.

A rigor, só descansa quem trabalha.

O ócio, em si mesmo, é vazio e exasperante.

Nada substitui a sensação de plenitude de quem cumpriu o dever, ao terminar uma tarefa.

A consciência tranquila do dever bem cumprido constitui um prêmio em si só.

Quem logra tornar-se útil sente-se harmonizado com o coletivo.

Percebe que ocupa o seu lugar no mundo e goza de um automático bem-estar.

Assim, tarefas e deveres nobres não constituem obstáculo à felicidade.

Não há lucro algum em evitá-los ou minimizá-los, enquanto se gasta a vida com futilidades.

Os deveres são parte essencial de um existir equilibrado e pleno.

De outro lado, é importante não confundir utilidade com grandeza.

Quem busca a grandeza costuma se comparar com os semelhantes.

Com isso, tende a se angustiar.

Afinal, sempre há seres com maior e menor preparo e com tarefas correspondentes ao seu talento.

Em vez de se tranquilizar ao atender seus deveres com competência, rói-se de inveja de quem é convocado para ocupar posições de maior destaque.

Também corre o risco de desprezar aquele que desempenha tarefas singelas.

Assim, o relevante é identificar os seus compromissos e empenhar-se em bem executá-los.

Cuidar dos próprios deveres com seriedade e competência.

Apreciar a sensação de ser útil e produtivo.

Pense nisso.

Redação do Momento Espírita.
Em 8.1.2020.

 

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