Momento Espírita
Curitiba, 17 de Agosto de 2022
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ícone O semeador

A professora fora nomeada para dar aulas em uma pequena cidade. Para isso, todos os dias, realizava uma viagem de trem.

Angélica era seu nome. Desde sua chegada, foi tida como uma pessoa não muito equilibrada.

É que os alunos de primeiro grau, vários deles que se serviam do mesmo trem no ir e vir para a escola, diziam que ela era muito estranha.

Falavam que, durante as viagens, ela ficava fazendo gestos e movimentos pela janela do trem. Para quem ela estaria acenando?

Seria para alguém invisível aos olhos dos demais? Os meninos zombavam dela, naturalmente, às escondidas, para que ela não descobrisse.

Os pais dos alunos e demais professores achavam que ela era maluca, embora reconhecessem ser uma excelente educadora.

Alguns se perguntavam se Angélica estaria agindo assim por viver sozinha, por não ter família, por não ter com quem conversar.

O mais interessante disso tudo é que entrava ano, saía ano, a professora continuava na sua atividade. E continuava com o mesmo comportamento, sem que nenhum colega, nenhum pai lhe viesse perguntar o porquê dessa sua estranha maneira de agir.

Talvez temessem indagar qualquer coisa. Afinal, ela era uma pessoa calma, gentil, de boas maneiras, bondosa, dedicada.

Certo dia, em que viajava para sua querida escola, com diversas crianças na mesma classe do trem, movimentava, como sempre, as mãos para fora da janela.

Os alunos, sentados na parte de trás, sorriam maliciosamente.

Alberto, seu aluno de dez anos, porque amava muito sua mestra, sentou-se ao seu lado. Com toda delicadeza, indagou:

Professora, por que você insiste em continuar com essas atitudes esquisitas?

Surpresa, Angélica se voltou para ele e perguntou: Como assim? Que atitudes?

Ora, professora - continuou ele, - você fica dando tchauzinho para os animais, abanando as mãos... Isso não é loucura?

A mestra amiga sorriu e explicou:

Veja bem, Alberto. Há quase vinte anos eu passo por este caminho, indo e vindo da escola. Logo que comecei a viajar, a estrada era feia, a paisagem não era agradável.

Eu tive a ideia de semear flores. Desse modo, reúno sementes de belas e delicadas flores do campo, as coloco na bolsa e vou atirando pela janela...

Sei que cairão em terra amiga e, acarinhadas pela primavera, se transformarão em plantas a produzirem flores, dando cor e alegria à paisagem.

Como você pode perceber, a paisagem está cheia de flores de diversos matizes e suave perfume no ar, que a brisa se encarrega de espalhar por todos os lados.

E os olhos do menino descobriram a beleza da semeadura de uma mestra encantada pela natureza.

*   *   *

Na vida, todos somos semeadores...

Uns semeamos flores e descobrimos belezas, perfumes e frutos.

Outros semeamos espinhos e acabamos nos ferindo, nas suas pontas agudas.

Ninguém vive sem semear, seja o bem, seja o mal.

A opção é de cada um. Atapetar a estrada de flores ou de espinhos.

Oferecer ao mundo frutos saborosos, ou se acomodar com a paisagem deserta por onde transita.

Felizes são aqueles que, por onde passam, deixam sementes de amor, de bondade, de afeto...

Redação do Momento Espírita, com base no livro
O Semeador, pelo Espírito Amélia Rodrigues,
 psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.
Em 2.8.2022.

 

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