Se observarmos com atenção a sociedade em que vivemos, perceberemos que estamos cada vez mais imersos numa cultura de imediatismo, utilitarismo e aparências.
A alucinação midiática, a serviço do mercantilismo vem dessacralizando o ser humano, que acaba perdendo o seu sentido existencial e tombando no vazio de si mesmo.
Parece que fomos arrastados para um verdadeiro cárcere do relógio, que impede que se vivencie cada experiência em sua plenitude e totalidade.
O tempo escorre rápido e tudo passa quase sem deixar vestígio da sua ocorrência.
Criou-se a exigência de que todos precisam estar num interminável banquete de alegrias, fingindo conforto e bem-estar o tempo todo, mesmo que distantes da realidade.
Em dias de utopia, vale-se mais pelo que se apresenta e se exibe do que pelo que realmente se é.
O culto da personalidade tem primazia e chegou a extremos, levando as pessoas a sacrifícios cirúrgicos e tratamentos de alto custo apenas para modificar a estrutura do corpo.
Nessa busca frustrante por prazeres ligeiros, fugimos da tristeza e do comedimento como se fossem transtornos de conduta.
Esquecemos que a tristeza legítima e necessária é uma pausa importante para o nosso refazimento emocional diante das extravagâncias do cotidiano.
Quando recalcamos nossas emoções para usar a máscara da felicidade sem conteúdos válidos, inevitavelmente o corpo adoece. É um alerta.
O egoísmo passa a reinar, produzindo o isolamento na multidão e a solidão íntima da alma.
O resultado final de toda essa cultura perversa é a presença do vazio existencial.
Um vazio que consome o ser humano, atirando-o na depressão e empurrando-o para abismos ainda maiores, como a fuga da vida.
Mas como escapar dessa armadilha e conquistar os objetivos da vida?
Precisamos lembrar que nenhuma pessoa se encontra na existência do corpo por impositivo do acaso ou por uma injunção de um destino cego.
Existe uma finalidade inadiável no renascimento do Espírito num corpo de carne.
Somos como gemas preciosas que necessitam da lapidação, por vezes através de colisões e atritos diários, exatamente para libertar a luminosidade adormecida em nosso interior.
Esse ser que hoje sofre as pressões da sociedade é, antes de tudo, imortal, criado por Deus para viver em plena harmonia durante a sua viagem orgânica.
Portanto, se experimentamos esse vazio interior, desmotivados para viver ou para laborar em favor do nosso próprio bem-estar, escutemos o amoroso conselho.
Abramo-nos ao amor e deixemos nos conduzir pelas suas desconhecidas emoções. Elas nos trarão calma na alma e significado para a vida.
Reflexionemos e façamos uma pausa na correria para lugar nenhum.
Consideremos a vida como uma oportunidade de sorrir e produzir, descobrindo-nos úteis a nós mesmos e à comunidade.
Não há vazio que se sustente depois de um gesto de caridade genuíno, depois de momentos de doação, após a conexão profunda com Deus pela oração sincera de todos os dias.
Redação do Momento Espírita com base na mensagem
Vazio existencial, pelo Espírito Joanna de Ângelis,
psicografia de Divaldo Pereira Franco, na
reunião mediúnica de 29.10.2008, no
Centro Espírita Caminho da Redenção,
em Salvador, Bahia.
Em 12.9.2026
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