Momento Espírita
Curitiba, 19 de Agosto de 2026
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ícone Medo do inferno

Na obra cinematográfica A língua das mariposas, assistimos a uma cena de beleza inigualável.

O personagem principal, Moncho, num diálogo com seu professor, fala:

Minha mãe disse que as pessoas boas vão para o céu e as más vão para o inferno.

E seu pai? - Pergunta o mestre, buscando compreender a aflição do menino.

Meu pai disse que, se houver um juízo final, os ricos iriam com seus advogados. Mas minha mãe não achou graça.

E você, o que pensa? - Inquire o atencioso educador.

O menino pensa por alguns instantes e revela:

Eu tenho medo...

O professor, enfim, lhe pergunta:

Você é capaz de guardar um segredo? - Moncho afirma com a cabeça que sim, interessado.

Só entre nós dois: o inferno, esse inferno de mais adiante, não existe. Ódio e crueldade, isso é o inferno. Às vezes, nós mesmos somos o inferno.

A cena termina com o menino dando uma mordida na maçã que trazia para o lanche, aparentemente aliviado.

*   *   *

Muitos de nós podemos trazer no coração essas mesmas dúvidas, mesmo quando adultos, mesmo tendo estudado essa ou aquela doutrina filosófica ou religiosa.

Ao que nos parece, é uma dúvida mais do coração do que da razão, pois o que primeiro precisa ser atendido é o medo.

Medo do desconhecido, medo de sofrer, medo de perder, medo de sentir.

Assim, quando o sábio educador pergunta ao menino: E você, o que pensa?- ele abre a possibilidade de acolher o que o outro sente.

Como pais, muitas vezes inocentemente, cremos que os filhos são depósitos vazios, que precisam ser preenchidos com saberes e valores.

Não consideramos que se trata de um Espírito que retorna, que traz construções prévias em sua alma, que precisam ser visitadas, analisadas e escutadas.

Talvez, para a mãe do menino, a crença que tinha sobre o destino das almas fizesse sentido. Mas será que ele se sentia satisfeito com ela?

Sabedoria não se passa como se transfere dinheiro de uma conta bancária para outra. Sabedoria é conquista individual.

De que adianta nos enchermos de teorias, sem respeitar o que vai dentro de nós? A teoria entra por um ouvido, esbarra em sentimentos com os quais não sabe lidar, e vaza pelo ouvido oposto.

No caso em questão, a herança dos pais trouxe apenas medo, até encontrar uma explicação mais simples: esse inferno de mais adiante, esse inferno como lugar terrível, não existe.

O verdadeiro inferno é um estado da alma e está na crueldade e no ódio das pessoas. Assim, se não quisermos viver nesse estado, basta nos educarmos, basta construirmos em nós sentimentos opostos a esses.

Somos nós que criamos nosso próprio inferno ou céu diariamente, dependendo dos sentimentos e pensamentos que cultivamos no imo de nosso ser.

A consciência de culpa. Alguém que vive sempre a se esconder, que tem que apagar os traços do que faz, com quem fala, não está vivendo seu pequeno inferno?

Pensemos nisso e nos libertemos de nossos infernos particulares o quanto antes. Pelos pensamentos, pelas ações, pela vivência diária do amor.

Dessa maneira, nunca mais teremos medo do inferno.

Redação do Momento Espírita
Em 15.8.2026

 

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