Momento Espírita
Curitiba, 01 de Julho de 2026
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ícone O sol da fé e as sombras do medo

Ei medo, eu não te escuto mais.

Você não me leva a nada.

E se quiser saber pra onde eu vou,

Pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou.

*

Do ponto de vista biológico, o medo é uma resposta do nosso cérebro, uma sentinela projetada para nos proteger de perigos imediatos.

Contudo, se existem medos que são ferramentas de preservação, há outros que abraçamos ao longo do caminho, frutos de experiências traumáticas ou da nossa insegurança diante do amanhã.

Surge, então, o questionamento: Ter medo é bom ou é ruim?

A resposta se encontra na utilidade do sentimento. Se o medo nos paralisa, se ele se torna uma amarra que nos impede de seguir adiante, de enfrentar desafios ou de abandonar a zona de conforto, ele é uma sombra que adoece a alma.

Se ele nos mantém alertas, se funciona como o reflexo de preservação que nos salva de situações imprudentes, ele cumpre seu papel na economia da vida.

Nos primórdios da Humanidade, o medo foi o mestre que nos garantiu a sobrevivência. Contra todas as probabilidades, sobrevivemos aos incêndios, às feras e às intempéries porque o medo nos manteve vigilantes.

Ele acionou nossa inteligência, obrigando-nos a engendrar artifícios para garantir a continuidade da espécie.

Hoje, embora livres das feras das cavernas, ainda tememos o desconhecido, o incontrolável, que nos povoa as noites de insônia. Temos medo da transição da morte, embora saibamos ser uma certeza biológica.

Tememos a enfermidade, a escassez financeira, o abandono e a dor da perda de quem amamos.

É nesse cenário de incertezas que somos convidados a beber na linfa límpida da fé. Uma fé raciocinada, que entende que o Universo não está à deriva.

A certeza de que Deus é Pai e de que Sua lei é de soberana justiça e amor. Sob essa ótica, nada do que nos acontece é desconhecido por Ele.

Se o cálice do sofrimento nos alcança, tenhamos a convicção de que não nos faltará o amparo necessário. Deus se manifesta no abraço de um amigo, na palavra de um irmão solidário, na força que brota do nosso íntimo quando julgávamos não ter mais fôlego.

É fundamental considerar que nenhuma provação chega sem o suporte proporcional para suportá-la. Ter fé é, em última análise, entregar-se com confiança ao Criador que guia nossos passos vacilantes.

É sentir o abraço divino nos instantes de amargura. É a chama que nos aquece e nos permite confiar antes mesmo de compreender.

Como diz o ditado popular: É colocar o pé e confiar que Deus colocará o chão.

A fé é a luz que ilumina nossas sombras interiores. Alimentados por essa confiança plena, o medo do amanhã perde sua força. Percebemos que as trevas eram apenas a ausência da nossa própria luz.

Dessa maneira, quando o medo paralisar nossos sonhos, respondamos com a serenidade de quem sabe que o sol da Providência Divina brilha para todos.

Caminhemos com a certeza de que nunca estamos sós. O medo pode até soprar o frio da dúvida, mas a fé é o agasalho eterno que nos conduz, em segurança, para onde haja sol. E é para lá que nós vamos.

Redação do Momento Espírita, com
 versos da música
Sol, do álbum Até
 onde vai, da banda Jota Quest.
Em 1º.7.2026

 

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