Momento Espírita
Curitiba, 27 de Maio de 2026
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ícone Atirar-se às ondas

Naquele momento, Jesus preparava os apóstolos para o que estava por vir.

Mostrava-lhes o que deveria suceder a Ele, cumprindo as palavras dos grandes profetas do Velho Testamento.

Filipe, emocionado com aquelas revelações, interrogou:

Mestre, como pode ser isso, se sois o modelo supremo da bondade? O sofrimento será, então, o prêmio às Vossas obras de amor e sacrifício?

Eis uma dúvida genuína: Por que Jesus precisou mergulhar no sofrimento se não tinha nada para resgatar?

Vim ao mundo para o bom trabalho e não posso ter outra vontade, senão a que corresponda aos sábios desígnios dAquele que me enviou.

Minha ação se dirige aos que estão escravizados, no cativeiro do sofrimento, da expiação. Instituindo, na Terra, a luta perene contra o mal, tenho de dar o legítimo testemunho dos meus esforços.

Necessitamos ponderar que as palavras dos ensinos somente são justas, quando seladas com a plena demonstração dos valores íntimos.

Acreditais que um náufrago pudesse sentir o conforto de um companheiro que apenas se limitasse a dirigir-lhe a voz amiga, lá da praia, em segurança?

Para salvá-lo, será indispensável ensinar-lhe o melhor caminho, atirando-se, igualmente, às ondas, partilhando dos mesmos perigos e sofrimentos.

O fardo que sobrecarrega os ombros de um amigo será sempre mais agravado em seu peso, se nos pusermos a examiná-lo, muitas vezes guiados por observações inoportunas.

Ele, entretanto, se tornará suave e leve para aquele a quem amamos se o tomarmos com os nossos esforços sinceros, ensinando-lhe como se pode atenuar o peso, nas curvas do caminho.

*   *   *

Reflitamos sobre as palavras de Jesus.

Ele se utiliza da imagem de um náufrago ouvindo a voz amiga de um companheiro, que está na praia.

Em paralelo, compara com a atitude desse mesmo companheiro quando se atira às ondas, partilhando dos mesmos perigos e sofrimentos.

Da praia, falamos com o coração, mas sem nos colocarmos no lugar do outro.

Quando nos atiramos às ondas, conseguimos nos entregar às dores alheias, damos um passo a mais na direção do próximo. Nossa visão se amplia e a ajuda é mais eficaz.

Atirar-se às ondas não pode ser entendido como cair, como corromper-se ou envolver-se nos mesmos problemas do outro.

A linguagem figurada do Mestre nos acena a ideia de partilhar a dor, de estender a mão, de doar nosso tempo, de nos encharcarmos da vida do outro para podermos ajudar.

Avisos, conselhos ditos em voz alta, à distância, mostram boa intenção. Contudo, por vezes, sequer são ouvidos porque quem está envolvido no problema precisa de algo mais.

Quem somos nós nessa imagem?

Os que olhamos da praia e nada falamos? Os que observamos da areia e gritamos, preocupados? Os que nos decidimos a mergulhar os pés no mar e conseguimos ver o náufrago, em toda sua aflição?

Somos aqueles cujos joelhos já estão no nível d'água? Ou, quem sabe, somos os que nos atiramos às ondas, no intuito de auxiliar verdadeiramente?

Reflitamos a respeito.

Redação do Momento Espírita, com base no
 cap. 21, do livro
Boa Nova, pelo Espírito
Humberto de Campos, psicografia de
Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.
Em 18.5.2026

 

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