Indolência é uma palavra pouco usada. Muitos a confundem com cansaço ou descanso necessário. Mas indolência é a falta de disposição para agir quando temos condições. É o adiamento do bem que sabemos ser possível.
É a escolha silenciosa de permanecer parado, mesmo percebendo que algo precisa mudar. Não se trata do corpo cansado, nem da mente exausta. Trata-se da alma que se acomoda.
Ela se apresenta quando sabemos o que deve ser feito, mas deixamos para depois. Quando sentimos o impulso de ajudar, mas esperamos que outro o faça. Quando reconhecemos a necessidade de melhorar, mas preferimos o conforto do hábito antigo.
O Evangelho de Jesus nos alerta, de forma suave, que a árvore é reconhecida pelos frutos que produz.
Portanto, nós somos reconhecidos não pelos planos, nem pelas intenções, mas pelo que efetivamente oferecemos. Não sejamos árvores estéreis, que se recusam a frutificar.
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Certa vez, um homem relatou sua experiência. Era alguém comum, desses que cumprem horários, atravessam a cidade todos os dias e acreditam que sempre haverá tempo depois.
Todos os dias, ao sair para o trabalho, ele passava por um vizinho idoso que se sentava sozinho na calçada.
O idoso costumava olhar o movimento da rua com atenção, como quem espera algo que nunca chega, e respondia com um leve aceno quando alguém passava.
O homem pensava em parar, oferecer eventual ajuda, se precisasse.
Mas dizia a si mesmo: Amanhã converso com ele, hoje estou com pressa.
A pressa, aliás, não era real. Era apenas o hábito de seguir em frente sem interromper a própria rotina. O amanhã nunca chegou. Como acontece com tantas decisões adiadas, o tempo seguiu seu curso sem avisar.
Um dia, ele viu a casa fechada. A calçada, antes ocupada, estava vazia. O vizinho morrera, praticamente sem visitas.
Soube depois que ele não tinha família próxima e que seus últimos dias tinham sido solitários e silenciosos. No entanto, o tempo de fazer algo, oferecer um ombro amigo, tinha passado.
O homem seguiu sua rotina, mas carregou, por muito tempo, o peso de uma oportunidade perdida. Não por culpa declarada, mas por aquela pergunta íntima que insistia em permanecer: E se eu tivesse parado apenas alguns minutos?
* * *
A indolência não costuma causar grandes escândalos. Ela age em silêncio. Rouba gestos simples, palavras necessárias, atitudes possíveis.
Pequenas ações adiadas se transformam em grandes ausências.
A vida nos chama ao movimento. Não à pressa, mas à ação consciente. Não ao sacrifício extremo, mas à fidelidade ao bem que já compreendemos.
Talvez não sejamos cobrados pelo que ainda não conseguimos fazer, mas certamente somos convidados a refletir sobre aquilo que podemos... e escolhemos não fazer.
Cuidemos para não deixarmos passar oportunidades. Atentemos para não perdermos a chance de fazer a diferença na vida de alguém e na nossa também.
O bem não exige perfeição. Apenas presença.
Pensemos nisso.
Redação do Momento Espírita
Em 10.4.2026
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