Momento Espírita
Curitiba, 21 de Abril de 2026
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ícone A impiedade

Podemos entender impiedade como a falta de compaixão e misericórdia pelos outros.

Quase sempre se apresenta pela apressada apreciação do comportamento alheio. Também pela ausência de empatia para com o próximo.

Bem raramente, os que somos dotados de sentidos plenos, gozando da felicidade de ver, ouvir, nos movimentarmos sem dificuldades, pensamos naqueles que sofrem alguma limitação.

Recentemente, aguardando em uma gigantesca fila, pudemos observar a indignação de uma senhora, criticando a balconista que atendera um rapaz que simplesmente chegara pelo outro lado, sem respeito aos que aguardavam pacientemente sua vez.

Despejou, de imediato, algumas palavras rudes para ambos: atendente e atendido.

Foi preciso que dois senhores, mais próximos da reclamante, lhe esclarecessem que se tratava de um portador de grave deficiência na locomoção e que fora orientado pela gerência para assim proceder.

Insistiram para que ela prestasse atenção em como, para se manter em pé, ele realizava grande esforço.

Tratava-se de um ato de humanidade, até mesmo estabelecido por lei.

Isso demonstra como, de um modo geral, criticamos antes, agimos como juízes do comportamento alheio, sem observarmos com detalhes o que realmente está acontecendo.

Quando nos permitimos desconhecer os porquês da atitude de cada pessoa e estabelecemos julgamentos precipitados e maldosos, acabamos agindo com impiedade e injustiça.

Recordamos de um incidente que envolveu uma jovem cantora, portadora de deficiência visual, que se apresentava num restaurante.

Um cliente, que simpatizou com ela, passou a fazer gestos de aprovação e a lhe mostrar, vez ou outra, um copo com bebida, convidando-a ir à sua mesa.

Como a moça não demonstrava nenhum sinal de interesse ou agradecimento, ao final da apresentação, ele foi até o palco e despejou um copo de bebida com pedras de gelo sobre seus pés, esbravejando:

Isto é para você deixar de ser mal-educada e indiferente ao meu oferecimento!

A moça, que não sabia o que estava acontecendo, saiu tateando, assustada, em busca de alguém que a ajudasse a entender a situação.

Só depois do vexame, o rapaz se deu conta de que a cantora não podia vê-lo.

Casos como esse nos levam a refletir sobre como somos impiedosos ao julgar indivíduos que desconhecemos.

Não seria mais justo e coerente não estabelecermos juízo de maneira precipitada?

O que é mais lamentável é que, mesmo percebendo que fomos injustos e impiedosos, dificilmente pedimos desculpas.

A consciência nos acusa, mas o orgulho nos impede o gesto de humildade.

*   *   *

Procuremos observar o mundo com olhos de fraternidade, de piedade, de compaixão.

Consideremos que as aparências podem nos enganar, muitas e muitas vezes.

Para construir um mundo no qual a felicidade esteja mais presente, é preciso corrigir o nosso olhar e a nossa maneira de apreciação de pessoas e situações.

Pensemos nisso, sempre que a tentação de julgar os outros se apresentar.

Redação do Momento Espírita
Em 3.4.2026

 

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