Momento Espírita
Curitiba, 21 de Abril de 2026
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ícone A promessa

Bem cedo a vida exigiu coragem do pequeno André. Os olhos foram perdendo sua luz e, aos dez anos, o mundo se apagou em cores e formas.

Em sua alma de menino, ficaram os sonhos, mais vivos do que nunca.

Ele costumava ouvir a mãe pedir ao seu pai ou ao seu irmão que a levassem ao supermercado para as compras. Quase sempre era preciso aguardar quando eles pudessem porque viviam sobrecarregados com suas próprias tarefas.

Em sua ingenuidade, o menino cego dizia para a mãe, com muita convicção:

Um dia, mãe, serei eu a dirigir e levar você para onde precise ou queira.

Era uma promessa inocente, carregada de amor, à qual o coração de mãe interrogava: Como poderá fazer isso, se não enxerga?

O tempo passou. André cresceu, estudou, enfrentou obstáculos e, com esforço, tornou-se profissional de tecnologia em outro país.

O menino que não via cores aprendeu a ver oportunidades. E, entre linhas de código e desafios diários, nunca esqueceu a promessa feita à mãe.

Então, ela o foi visitar no país em que ele vive e trabalha. Para sua surpresa, lá estava ele no aeroporto, com seu próprio carro.

Com a ajuda de seu celular, recursos modernos e um veículo autônomo, André cumpriu sua promessa de criança: dirigiu com segurança e levou sua mãe aonde ela desejava ir.

Eles foram ao supermercado, às ruas da cidade, aos lugares simples que moravam em seu coração.

Ao final, entre lágrimas e risos, perceberam que não era apenas um passeio. Era a realização de um sonho infantil. Era o cumprimento da promessa de uma criança à sua mãe.

*   *   *

As limitações físicas são oportunidades de aprendizado. Deus não dá provas superiores às forças de quem as deve suportar.

Dentro de nós, abrigamos as ferramentas necessárias para vencer cada obstáculo no nosso caminho, pois cada desafio traz em si a semente da superação.

André poderia ter se rendido à tristeza, à dependência. Mas escolheu a confiança. Encontrou em sua limitação um caminho de crescimento.

E, ao dirigir seu veículo, mostrou que guiar vai além dos olhos. É conduzir com amor, é acolher com ternura, é ser luz mesmo em meio à escuridão.

Deus nos convida, diariamente, a transformar nossas dores em sementes de esperança. Porque o verdadeiro milagre não está em enxergar com os olhos, mas com a alma.

Assim compreendemos que nada é impossível àquele que deseja vencer. As limitações podem fechar portas, mas a perseverança e a vontade abrem janelas infinitas para o amanhã.

Talvez tenhamos nossas deficiências. Uns do corpo, outros da alma. São as sombras que nos desafiam a acender a chama da vontade de vencer.

A história de André nos convida a não lamentar o que nos falta, mas a valorizar o que podemos oferecer.

Afinal, dirigir não é apenas conduzir um carro. É ser capaz de tomar o volante da própria vida, confiando que Deus nos guia pelas estradas da existência.

E a promessa de amor que fazemos, cedo ou tarde, sempre encontra sua hora de ser cumprida, se desejarmos.

Redação do Momento Espírita,
baseado em fatos.
 Em 19.2.2026

 

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