Momento Espírita
Curitiba, 21 de Abril de 2026
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ícone O limão do Natal

Quem olha a árvore de Natal na sala da minha casa estampa um ar de surpresa na face. Estranha ver pendurado um limão, entre os demais enfeites.

Afinal, o que um limão tem a ver com as expressivas cores do Natal?

Com alegria satisfaço a curiosidade, contando a história dessa fruta, que mudou minha maneira de encarar a vida.

Quando jovem, participava de um projeto de voluntariado que prestava assistência em certa comunidade do interior do nosso país.

Pelo Natal, o grupo de voluntários organizava entrega de brinquedos e cestas básicas para as famílias em situação de vulnerabilidade social.

As crianças aguardavam ansiosas a véspera do Natal. Quando chegávamos, elas formavam fila e, uma a uma, recebiam seu pacote.

Eram bonecas de pano, carrinhos de plástico, bolas de futebol. Presentes simples, embrulhados com carinho.

No fim da fila, um menino franzino, de olhar brilhante e roupa surrada, permanecia em silêncio. Seu nome era Paulo.  Tinha apenas seis anos e aguardava com esperança no olhar o seu momento de receber o presente de Natal.

Quando chegou a sua vez, ele era o último, os brinquedos tinham sido todos distribuídos. Por algum detalhe estranho, os organizadores tinham errado na contagem dos cadastrados.

Eles se entreolharam com pesar. O que teria acontecido? Eram cuidadosos, organizados. O rapaz que fazia a entrega olhou ao redor.

Restava apenas uma caixa na qual haviam sido trazidas frutas para o lanche. No fundo dela, somente um limão.

Constrangido, um dos organizadores ofereceu a fruta ao menino, prometendo que voltaria com um presente melhor nos próximos dias.

Paulo segurou o limão com as duas mãos, cheirou-o e falou: Obrigado, moço! Nunca ganhei nada no Natal!

E saiu pulando pelo terreiro, balançando o limão no ar como se fosse o mais precioso dos tesouros.

Uma das voluntárias, tocada pela cena, perguntou: Você gostou mesmo do limão?

Ele respondeu com simplicidade: Gostei sim! Ele tem um cheirinho bom. Dá para brincar de rolar no chão. E quando eu cansar, minha mãe pode fazer suco. Azedinho, mas gostoso!

Aquela resposta ecoou como um lembrete poderoso: a gratidão não está no valor do que se recebe, mas no valor que se lhe dá.

Quantos reclamamos de pequenas faltas, de presentes que não chegaram, de expectativas frustradas?

Enquanto isso, um menino agradeceu com alegria por algo que, para muitos, seria apenas um limão.

Gratidão é uma postura da alma, um reconhecimento silencioso de que a vida, mesmo com suas dificuldades, sempre oferece algo de valor.

É no coração simples que floresce o verdadeiro contentamento. E é esse contentamento que nos aproxima da paz.

Aquele menino, em sua inocência, foi grato pelo pouco recebido. Agradeceu com tamanha alegria que, sem saber, ensinou muito.

É por isso que, todo ano, para me lembrar do quanto devo ser grato, penduro em minha árvore de Natal um limão.

Dessa maneira, recordo que, se algum dia, nada mais receber do que um limão, serei grato. Talvez seja o início de um pomar.

Redação do Momento Espírita,
 com base em fato.
Em 23.12.2025

 

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