Momento Espírita
Curitiba, 29 de Novembro de 2025
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ícone O propósito de mudar

Existem músicas que, ao serem ouvidas, nos calam fundo. Também nos conduzem a reflexões.

Algumas letras traduzem, com beleza ímpar, esse sentimento de que poderíamos ter feito as coisas de maneira diferente, com mais doçura.

De que poderíamos ter agido de forma mais coerente, sem deixar de oferecer nossa razoável opinião nessa ou naquela situação.

Foi isso que nos aconteceu ao ouvirmos os versos musicais:

Queria ter amado mais. Ter chorado mais.  Ter visto o sol nascer.

Queria ter aceitado as pessoas como elas são.  Cada um sabe a alegria e a dor que vai no coração.

Possivelmente, poucos de nós possamos dizer que chegamos ao final da existência sem arrependimentos.

Faz parte da nossa vida a incompletude e a imperfeição. Nosso planeta, ainda de provas e expiações, com leves nuances de regeneração, agrega criaturas com esses matizes.

Se, logo após ter lançado do arco a flecha da palavra ou do gesto infeliz, percebemos o equívoco, nos arrependemos do que falamos e fizemos aos familiares, aos filhos, aos amigos.

A moderação é virtude difícil de ser alcançada e é mais frequente que reajamos com impaciência às lutas ásperas da vida cotidiana.

*  *  *

Não ter amado mais é um dos arrependimentos comuns quando temos os cabelos nevados pelos anos, pois o amor nos liberta da consciência de culpa e traz paz e serenidade ao Espírito.

Não ter chorado mais nos recorda das tantas vezes que não nos permitimos extravasar as lágrimas contidas nas comportas da alma. Deixamos de aliviar o coração das angústias, amarguras e da melancolia que o envenenam.

Ter visto o sol nascer é metáfora que nos recorda que precisamos valorizar as coisas simples da vida. É buscar na vida de relação o sentimento verdadeiro de cumplicidade com os nossos amores.

Aceitar as pessoas como elas são é ter indulgência, entendendo que estamos em momentos diferentes de compreensão e maturidade espirituais.

Por isso nos ensinou, há milênios, um sábio galileu: Se alguém lhe tomar o manto, deixa-o levar também a túnica. Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis?

E, quando ouvimos que cada um sabe a alegria e a dor que vai no coração, somos convidados a ter empatia, calçando as sandálias do outro, buscando compreender a sua dor, pois sob um sorriso podem se ocultar incontáveis amarguras.

É preciso ter coragem para voltar sobre as próprias pegadas e reconhecer os nossos erros.

Não importa quantos sejam os arrependimentos que tenhamos, o que importa é termos a coragem de mudar para melhor.

Buscar aqueles que magoamos, propositalmente ou não, e nos harmonizarmos, aparando as arestas com franqueza e doçura.

Esse é o caminho da consciência tranquila, da paz de espírito e do amor verdadeiro. Tudo o mais se oculta sob o manto do orgulho e da vaidade, péssimos conselheiros.

Tomemos a iniciativa de nos reconciliarmos para não termos de nos arrepender por não termos amado mais, por não termos visto o sol nascer, irradiando alegria.

Redação do Momento Espírita, com
 versos da música
Epitáfio, dos Titãs.
Em 29.11.2025

 

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