Algumas situações em nossa vida despertam em nós um sentimento arcaico e perigoso.
Ele se inicia na raiva, se condensa em emoções perturbadoras que se convertem em tormentos destruidores.
É o ódio, uma herança do primarismo pelo qual transitamos em experiências passadas.
Guerras e terrorismo, perseguições cruéis e estúpidas, preconceitos e crimes inomináveis são alguns frutos desse grande vício moral.
Surge como um vírus moral que nos infecta e nos domina, tornando-nos fatores de destruição onde nos encontramos.
Uma das razões que o faz tão dominante, quando se instala, é que nos credenciamos como dignos dele. Apresenta-se como um aliado, um fogo interno que vem nos defender e se torna lança-chamas de vingança.
Eu fui a vítima! Ele começou! Viu o que fizeram comigo? Preciso me defender!
O ódio se finge amigo num primeiro momento. Ele nos enche de razão, de energia, demonstrando que temos o direito de odiar, pois fomos atacados.
A indignação do que o outro fez conosco é tão grande, dependendo do fato, que o ódio nos cega. E deixamos de ver as consequências dos nossos passos, gestos e ações.
Para dominá-lo, precisamos mostrar quem está no comando.
Não podemos admitir, depois de milênios de evolução espiritual, que não sejamos os comandantes de nossos sentimentos.
A raiva, a indignação, o ódio podem surgir, mas nós é que devemos comandá-los.
Deixar que uma emoção controle nossos pensamentos e atos, mesmo que por instantes, é inadmissível para seres como nós, com todo o esclarecimento que temos.
Assim, mostremos quem está no comando, quem é o capitão dessa complexa embarcação.
Depois, reflitamos sobre nosso próprio bem, nossa própria saúde emocional e física.
Da mesma forma que escolhemos alimentos saudáveis, que selecionamos aquilo que consumimos, aquilo que estará no cardápio de quase todos os dias, escolhamos também o que queremos que esteja em nosso cardápio de sentimentos do dia a dia.
Quando nos acontecer algum mal, pensemos de forma lúcida, tentando descobrir o benefício que podemos auferir com a sua superação.
Evitemos permanecer ruminando o ato, a fim de que não se fixe, mantendo-nos livres da sua contaminação.
Aquele que, de alguma forma, nos gerou embaraço e aflição, é um infeliz, embora no momento não se dê conta.
Ninguém pode fugir à sua própria consciência, que aguarda momento especial para se manifestar com a severidade que lhe é peculiar, pois nela se encontra a lei de Deus.
Assim, não percamos tempo nem energia querendo aplicar justiça, se a justiça do mundo não o fizer. Isso não é conosco. Não é nosso trabalho.
Odiar esse infeliz ou infelizes é investir na própria degradação.
É como tomar veneno desejando que o outro morra.
Pensemos em nosso bem, em nos libertar das cargas do ódio o quanto antes, independentemente se a outra parte foi punida, se reconheceu ou não seu erro.
Cultivar o ódio é construir um caminho de autodestruição. Se queremos liberdade, se queremos voltar a sorrir e ter paz, libertemo-nos dele hoje ainda, dando o primeiro passo.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 24, do
livro Atitudes renovadas, pelo Espírito Joanna de Ângelis,
psicografia de Divaldo Franco, ed. LEAL.
Em 24.11.2025
Escute o áudio deste texto