Em sua Carta aos Hebreus, o Apóstolo Paulo de Tarso escreveu sobre a obediência de Jesus a Deus.
Salientou que o Cristo manifestou Sua submissão à vontade do Criador até o extremo sacrifício.
E que, após a crucificação, tornou-se o meio de salvação para todos os que O seguissem.
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É interessante refletir a respeito da obediência.
Todos obedecemos a alguém ou a alguma coisa. Vivemos no mundo, sujeitos a normas e regras que nos ditam a maneira adequada de nos conduzirmos, de agirmos.
Obedecemos a normas a toda hora: no trânsito, na profissão, na escola, na sociedade, no trato com os outros.
Contudo, muitos de nós não conseguimos entender que o respeito às leis constitui virtude e traz benefícios para nós mesmos.
Não entendemos a necessidade de nos submetermos com dignidade ao cumprimento dos deveres que a vida nos apresenta.
Ressentimo-nos com os encargos que nos competem e buscamos abandoná-los.
Com essa atitude, atendemos aos impulsos inferiores da natureza e, por resistirmos ao trabalho íntimo de autoelevação, nos tornamos rebeldes.
Quase sempre, em nosso coração, transformamos a obediência que, no dizer do Apóstolo, nos salvaria, na escravidão que nos condena.
O Senhor da Vida estabeleceu as gradações do caminho.
Instituiu a lei do próprio esforço, na aquisição dos supremos valores da vida.
Em Sua extrema bondade, elaborou formosos roteiros para que encontremos a felicidade e nos plenifiquemos.
Determinou que o homem, para ser verdadeiramente livre, aceite os Seus sagrados desígnios.
Contudo, frequentemente, preferimos atender à nossa condição de inferioridade e determinamos para nós uma verdadeira escravidão às nossas paixões.
Importante que examinemos atentamente o campo em que desenvolvemos nossas tarefas e nos perguntemos a quem verdadeiramente obedecemos.
Será que estaremos atendendo, em primeiro lugar, às vaidades humanas?
Estaremos, antes e acima de qualquer coisa, agindo conforme as opiniões alheias?
Ou conseguimos acomodar o nosso sentimento no tranquilo cumprimento dos deveres que nos competem?
São frequentes as tentações que o mundo apresenta no caminho de quem deseja viver retamente.
E temos desculpas para quase tudo, seja o abandono do lar, a traição conjugal, a sonegação de impostos ou a pouca dedicação aos filhos.
Sempre é possível achar alguma justificativa, ainda que insignificante, para podermos passar livremente pela porta larga da perdição.
O problema é que nesse processo comprometemos não só a própria dignidade mas também nosso futuro espiritual.
Cada um de nós, através de suas ações, constrói o seu próprio destino e sempre chegará o momento de assumirmos as consequências dos atos praticados.
Em termos morais, não existem atos sem consequências.
O sacrifício das próprias fantasias e vaidades em favor do bem rende plenitude e luz, logo adiante.
Já a vivência de paixões, em clima egoísta, traz uma inevitável cota de dores e desilusões.
Jesus ensinou e exemplificou a vivência do amor, em regime de pureza.
Apenas a obediência aos Seus ensinamentos permite quebrar a escravidão do mundo em favor da libertação eterna.
Pensemos nisso e nos disponhamos a segui-lO, nosso Modelo e Guia.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 16, do
livro Pão nosso, pelo Espírito Emmanuel, psicografia
de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.
Em 18.1.2019.
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