Momento Espírita
Curitiba, 29 de Novembro de 2025
busca   
no título  |  no texto   
ícone Tudo é para o bem

Ele era um homem que trazia a fé em seu coração.

Chamavam-no Mahum, que significa também. O apelido lhe fora dado pelos que o conheciam porque para tudo o que lhe acontecesse, por pior que fosse, ele afirmava: Isto também é para o bem!

Se a chuva lhe destroçasse o jardim ou a enxurrada lhe destruísse a horta, repetia: Isto também é para o bem.

E colocava-se no trabalho de reconstrução do jardim e da horta, sem reclamações.

Se a enfermidade o alcançasse, falava: Isto também é para o bem. Medicava-se e aguardava a recomposição das forças físicas, retornando ao trabalho.

Certa noite, Mahum precisou realizar uma viagem até à cidade vizinha.

Preparou seu burrico para transportá-lo, o galo que funcionaria como seu relógio e despertador, e uma lamparina para iluminar o caminho.

Ela deveria servir, inclusive, para que antes dele repousar, no seio da floresta que deveria atravessar, pudesse se deter na leitura das escrituras.

Noite alta e ele no coração da floresta. De repente, o óleo da lamparina derramou e ela se apagou. Ele ficou às escuras.

Inesperadamente, o galo começou a passar mal e morreu. Não demorou muito e foi o burrico. Incrível, não é mesmo?

O pobre homem ficou sozinho, na escuridão, em meio a ruídos estranhos e assustadores.

Mesmo assim, afirmou: Tudo o que Deus faz é para o bem.

Acomodou-se como pôde e dormiu.

No dia seguinte, o sol o veio despertar, vencendo a fechada copa das árvores. Ele prosseguiu a viagem a pé. Quando, horas depois, chegou à cidade, seus conhecidos o olharam com espanto.

Pareciam estar vendo um fantasma. Por fim, lhe perguntaram:

Como você pode estar vivo? Soubemos que, ontem à noite, foram despachados soldados romanos à floresta, com o intuito de matá-lo!

Foi então que o viajante explicou tudo que lhe havia acontecido, concluindo: Se minha lamparina não tivesse apagado, o galo e o burrico morrido, com certeza estaria morto.

O clarão da lamparina, o zurrar do burrico e o cocoricó do galo denunciariam o local onde me encontrava.

Bem posso continuar a dizer: "Tudo o que Deus faz é para o bem."

*   *   *

Quando a tormenta se faz mais violenta e as dores se tornam mais acerbas, é o momento de se ponderar porque elas nos atingem.

O bom senso nos dirá sempre que razões poderosas existem, assentadas no ontem remoto ou no passado recente, porque a Divina Providência tudo estabelece no momento próprio e na medida exata.

Deus é sempre a Sabedoria Suprema e a Justiça Perfeita, atendendo às mínimas necessidades dos Seus filhos, no objetivo maior do progresso e da redenção.

Nem sempre conseguimos aquilatar, no momento em que tudo sucede, o seu real valor. Contudo, no transcorrer do tempo, descobrimos quanto Deus estava certo em permitir que a dor chegasse, que o problema se avolumasse, que a dificuldade nos abraçasse.

Percalços, sofrimentos e dissabores são desafios que nos levam a raciocinar, a buscar soluções, a reformular atitudes.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita com base em texto
 do jornal
Correio Fraterno do ABC, de maio/1998.
Em 27.11.2025

 

Escute o áudio deste texto

© Copyright - Momento Espírita - 2025 - Todos os direitos reservados - No ar desde 28/03/1998