Momento Espírita
Curitiba, 25 de Outubro de 2026
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ícone Prestando mais atenção

É interessante como, embalados pela rotina da vida, deixamos de prestar atenção em coisas importantes, ou seja, nos nossos tesouros mais valiosos. As pessoas que amamos.

O casal Estrada aprendeu a lição de maneira dolorida.

Certo dia, o marido entrou em sua caminhonete e saiu para o passeio habitual.

Mais ou menos cinquenta minutos depois, um policial bateu à porta da casa de Herlinda Estrada e lhe perguntou qual era o nome do seu marido e o carro que ele dirigia.

Em seguida, lhe informou que ele havia sofrido um ataque cardíaco e estava hospitalizado.

Transtornada, ela partiu imediatamente para o hospital, que ficava perto de sua casa.

Atendida tão logo se apresentou, descobriu que chegara tarde demais. Seu marido havia morrido.

Em prantos, acompanhada pelo mesmo policial que fora à sua casa, ela foi identificar o corpo.

Voltou para a sala de espera e pediu ao policial que desse os primeiros telefonemas, avisando a família e amigos.

Porém, trinta minutos depois, a pessoa menos esperada chegou: o próprio senhor Estrada.

Quando viu o marido, Herlinda se pendurou em seu pescoço, aos gritos: Você está vivo! Eles disseram que você tinha morrido!

Os parentes, amigos, funcionários do hospital não estavam entendendo nada.

Com calma, tudo ficou elucidado.

Enquanto o senhor Estrada estacionara o carro e fazia sua caminhada, outro homem sofrera um infarto.

A equipe de emergência e a polícia foram chamadas. Não encontraram nada que o pudesse identificar.

A única pista era um chaveiro da General Motors que o policial experimentou nas portas dos veículos GM estacionados na área.

Abriram o veículo errado, o do senhor Estrada, que assim foi identificado porque seus documentos estavam no porta-luvas.

Mas como Herlinda identificou o corpo errado?

Ela disse que estava fora de si. O corpo estava com fita crepe nos olhos e na boca. Nem conseguiu verificar se o homem tinha bigode.

Ela olhou os pés, as mãos, a cor do shorts, os tênis. Pareceram ser de seu marido.

E como o senhor Estrada chegou ao hospital?

Muito simples: ao chegar em casa, recebeu um telefonema da esposa de seu patrão que, quando ouviu a voz dele ao telefone, exclamou:

Meu Deus! Se você está aí, então foi Herlinda quem sofreu o ataque cardíaco!

Que confusão, não é mesmo?

Assim, enquanto o casal foi para casa, abraçado, o policial voltou para a pista, no parque.

Lá, encontrou uma mulher que procurava o marido: era a verdadeira viúva.

Depois daquele dia, o casal Estrada mudou muitas coisas em sua vida, passando a prestar muita atenção um no outro.

*   *   *

Por vezes, um fato dramático nos tira da apatia com que levamos nossos dias.

Uma sacudidela para passarmos a prestar mais atenção nos nossos amados.

Nesses seres sem os quais tudo o que temos perde importância: a casa, o carro, as joias...

Pensemos nisso e comecemos a olhar com novos olhos essas criaturas que são a razão das nossas alegrias: os nossos amores.

Comecemos hoje. Agora.                 

*   *   *

A propósito, você sabe dizer com que roupa seu filho saiu de casa há pouco?

Redação do Momento Espírita, com base
em texto do livro
Pequenos milagres, de
 Yitta Halberstam e Judith Leventhal,
ed. Sextante.
Em 21.10.2026

 

 

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