Momento Espírita
Curitiba, 17 de Agosto de 2022
busca   
no título  |  no texto   
ícone Sejamos luz

Ela nasceu em um lar de poucos recursos.

A família dispunha de pequena propriedade que, na aridez do sertão nordestino, mal provia as necessidades do grupo familiar.

Deram-lhe o nome de Daluz, como se os pais tivessem ideia do que seria seu futuro.

Cresceu, naquele meio, quase isolada de tudo e de todos.

Foi alfabetizada pela avó amorosa, que lhe ensinou, dentro das suas limitações, a juntar letras até que fizessem sentido.

A partir disso, ela não conseguiu mais se acomodar. Queria aprender mais, ler mais, saber mais.

A cidade mais próxima, a várias horas de estrada, era visitada uma vez ao ano, quando Daluz podia vislumbrar uma vida diferente.

Foi numa dessas visitas que decidiu que para ali se mudaria, porque queria estudar.

As dificuldades foram muitas, mas não maiores que sua sede de aprender.

Quando terminou o ensino fundamental, na pequena vila, buscou outros horizontes.

E outra cidade, agora maior, foi seu destino. Destino construído com esforço, resiliência e paixão pelos estudos.

Empreendedora por natureza, ao perceber a dificuldade de muitos que chegavam na cidade grande, tal como acontecera com ela, capitaneou a criação de uma casa para mulheres estudantes, a fim de que tivessem moradia a baixo custo, viabilizando seus estudos.

Fez-se professora, formada em Pedagogia. A primeira de sua pequena localidade a conseguir o diploma de ensino superior.

Encantada com o que a instrução lhe proporcionara, voltou para a pequena vila, onde iniciara seus estudos. Sabia que lá havia muito a se fazer.

Porque criança nenhuma merece ficar sem educação, decidiu fundar uma escola.

Começou a reunir as crianças que lhe apareciam, em pequena garagem emprestada por um generoso conhecido.

E sua escola, aos poucos, foi ganhando forma. Sua paixão por educar contagiava seus alunos, que se faziam mais e mais numerosos.

Ela semeava educação, abria horizontes, libertava almas, fazendo luz na treva da ignorância.

Passaram-se mais de cinco décadas. Aos setenta anos de idade, ela cumpre, altiva, sua missão de educadora.

Para os pais, com dificuldades para pagar a mensalidade, mesmo que mínima, ela repete seu refrão: Aqui, ninguém fica sem estudar por falta de dinheiro!

Tudo dá-se um jeito, pois o coração de tia Daluz é grande!

Dessa forma, ela vai espalhando luz, naquele interior distante, florescendo no local onde Deus a colocou.

No todo, a maior lição da professora Daluz é que sempre podemos fazer a diferença, oferecer o que dispomos, utilizar nossos recursos, a fim de florescer e darmos frutos, onde estivermos.

Jesus nos denominou a todos como filhos da Luz. E o somos. Temos luz. A luz de seres imortais, inteligentes, capazes de promover mudanças, de alterar a feição do mundo.

Todos temos o potencial para, onde nos situemos, fazermos a diferença, com o que disponhamos e de acordo com as necessidades que se apresentem.

Sejamos promotores da luz. Permitamos que brilhe a nossa luz. Sejamos luz.

Redação do Momento Espírita
Em 16.5.2022.

 

Escute o áudio deste texto

© Copyright - Momento Espírita - 2022 - Todos os direitos reservados - No ar desde 28/03/1998