Momento Espírita
Curitiba, 18 de Dezembro de 2018
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ícone Ao meu querido pai

Olá, pai! Eu, que já fui criança um dia e que agora sou jovem, quase adulto, gostaria de dizer o que vai aqui dentro do meu coração, neste dia especial.

Eu sei que temos tido alguns desentendimentos, mas creia, papai, você é e sempre será meu grande herói.

Sabe, pai, quando observo suas mãos fortes, embora algumas marcas feitas pelo tempo, penso no quanto elas significam para mim, pois foram as primeiras a acariciar as minhas, inseguras na infância.

Quando vejo seus passos firmes, não esqueço de que foram eles que orientaram os meus primeiros passos.

Quando você me pede para ler algumas palavras que seus olhos já não conseguem ver com precisão, faço com carinho, pois não esqueço das palavras que você repetiu inúmeras vezes para que eu aprendesse a falar.

Percebo que, hoje, suas decisões são mais lentas. Mas sei também que minhas primeiras decisões foram por elas balizadas.

Talvez você não esteja tão atualizado quanto às novas tecnologias, mas eu me lembro que você pensou muito pouco em si mesmo, para fazer de mim uma pessoa de bem.

Se hoje sua saúde anda um pouco debilitada, sei que muito do seu desgaste foi para garantir a minha saúde. E se você não pronuncia corretamente alguma palavra, eu entendo, pois se esqueceu de si mesmo para que eu pudesse cursar uma universidade.

Se hoje sua memória o trai, não esqueço das tantas vezes que advogou a meu favor, nas situações difíceis em que me envolvi.

Eu cresci, papai, não sou mais aquela criança indefesa, graças a você. Hoje, a juventude me empolga as horas... Mas não esqueci minha infância, meus primeiros passos, minhas primeiras palavras, meus primeiros sorrisos.

Acredite que tudo está bem vivo em minha memória, e eu sei que, nesse seu peito cansado, ainda pulsa o mesmo coração amoroso de outrora.

É verdade que o tempo passou, mas eu nem me dei conta, pois você esteve sempre ao meu lado, disposto a me proteger e a me ensinar.

Sabe, velho, embora eu não tenha muito jeito para falar coisas bonitas, desejo lhe dizer o quanto você tem sido importante em minha vida. Você pode não ser mais aquele moço forte, quanto ao corpo, mas tem um certo ar de sabedoria que na sua imagem de ontem não existia.

Eu sei, pai, que apesar de o tempo ter passado, em seu peito o coração ainda pulsa no mesmo compasso; que o afeto que você cultivou, agora floresce em minha alma; que as emoções vividas ainda podem ser sentidas como nos velhos tempos...

Eu reconheço, meu pai, que apesar dos longos invernos suportados, você ainda mantém acesa a chama de amor e ternura pelos seres que embalou na infância.

Por isso tudo, e muito mais, eu quero lhe agradecer de todo meu coração: Pela amizade que você me devota; pelos meus defeitos que você nem nota;

por meus valores que você aumenta; pela minha fé que você alimenta;

por esta paz que nós nos transmitimos; por este pão de amor que repartimos;

pelo silêncio que diz quase tudo; por esse olhar que me reprova mudo;

pela pureza dos seus sentimentos; pela presença em todos os momentos;

por ser presente, mesmo quando ausente; por ser feliz quando me vê contente;

por ficar triste, quando estou tristonho; por rir comigo, quando estou risonho;

por repreender-me quando estou errado; por meus segredos, sempre bem guardados;

por me apontar Deus a todo instante; por esse amor sempre tão constante.

Redação do Momento Espírita, com transcrição
final de mensagem de autoria ignorada.
Disponível no livro Momento Espírita, v. 2, ed. FEP.
Em 10.8.2018.

 

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