Momento Espírita
Curitiba, 25 de Junho de 2018
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A pureza é uma virtude muito difícil de compreender.

Segundo o dicionário, puro é o que é limpo, intocado, sem manchas ou máculas.

Nesse sentido, pureza seria o estado de quem nunca foi tocado pelo mal, em qualquer de suas formas.

A pureza teria de ser preservada desde a origem, pois qualquer mácula implicaria a sua perda.

Em termos humanos, todos nasceriam puros e assim permaneceriam até que cometessem a primeira falta.

Em tal acepção, o estado de pureza estaria para sempre perdido e fora do alcance da imensa maioria dos homens.

Entretanto, Jesus afirmou a bem-aventurança dos puros de coração.

Não é possível que a felicidade dos bem-aventurados seja restrita a uma ínfima minoria, pois o Cristo também disse que nenhuma de suas ovelhas se perderia.

Assim, o sentido da palavra pureza não pode se restringir à condição de alguém que nunca foi tocado pelo mal.

*  *  *

O Espiritismo esclarece que todos os Espíritos são criados por Deus, simples e ignorantes.

Gradualmente, à custa de suas experiências, eles desenvolvem os tesouros intelectuais e morais cujo princípio trazem no íntimo.

São dotados de livre-arbítrio, a fim de que optem pelos caminhos que lhes pareçam os melhores.

Por vezes erram, em sua ignorância, mas os erros são apenas tropeços momentâneos na caminhada para a angelitude.

Por conta da lei de harmonia e justiça que rege o Universo, todo equívoco deve ser reparado.

Tem-se aí a liberdade com sua natural contraparte, a responsabilidade.

O erro é inerente ao processo de aprendizado.

A perfeição é atributo dos anjos.

Após incontáveis encarnações, os Espíritos desenvolvem todos os seus potenciais e se tornam infinitamente sábios e amorosos.

É quando se tornam puros, pois livres de todos os vícios, não mais sujeitos a erros e intrinsecamente bondosos.

*  *  *

A perfeita pureza não é algo com que se nasce e pode ser perdido ao menor deslize.

Trata-se de um estado de consciência a ser construído ao longo de muitas experiências.

Puro não é o ignorante da realidade da vida, mas o que muito conhece e opta pelo bem, pelo belo, pelo justo.

A pessoa impura vê o mal em toda parte e tem prazer nele.

Como exemplo é o caso de quem observa a conduta alheia sempre disposto a ver e alardear corrupção e leviandade.

O severo censor do próximo muitas vezes apenas afeta uma pureza que não possui.

Intensamente desejoso de fazer algumas coisas que reputa indignas, critica com violência quem as realiza.

A luta por vencer os próprios vícios é dura e meritória.

Ninguém advogará que a criatura viva o que considera errado.

Apenas é necessário dar um passo além e se desvencilhar emocionalmente do equívoco, para não mais gastar tempo na crítica gratuita à conduta alheia.

Como não é ignorante, a pessoa pura identifica o mal onde realmente existe.

Ela percebe e lamenta a desonestidade, o egoísmo, a perversão e a crueldade, mas não os valoriza.

A pureza é algo a ser conquistado.

Viver puramente é uma opção que se faz.

Essa vivência implica luta e esforço, pois pressupõe abandonar maus hábitos e vencer paixões.

Maria de Magdala é oportuno exemplo de pureza conquistada.

Embora os grandes equívocos de seu passado, após conhecer Jesus passou a cultivar a pureza em sua vida.

Trata-se de um eloquente símbolo da vitória da razão e da vontade sobre a paixão e os vícios.

Assim, tornar-se puro é possível, basta querer.

Pense nisso.

Redação do Momento Espírita.
Em 10.1.2018.

 

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