Momento Espírita
Curitiba, 27 de Setembro de 2020
busca   
no título  |  no texto   
ícone O grande amor fraternal

Ela contava quase oitenta anos de idade. Então, certa manhã, acordou repassando mentalmente os anos vividos.

Pela memória, foi relembrando as tantas pessoas que haviam passado por sua vida, quantas amara e de que formas tão diversas.

Criança e adolescente, sua mãe fora seu grande amor, assinalado por um clima de carinho sem fim.

Lembrou do pai. Com ele, tinha uma relação de um certo temor, porque era muito exigente e um tanto autoritário.

Nem por isso deixara de gostar dele, algo como um amor feito de respeito. Era um homem trabalhador, correto, atento às questões que envolviam a esposa e os filhos.

Quanto às irmãs, recordava que ora tinha vontade de estar perto, ora de se afastar, quando não a entendiam.

Amigas não tinham sido muitas, mas algumas lhe haviam até despertado a vontade de ser como elas, despreocupada, leve.

Ao recordar de quando conheceu aquele que viria a ser seu marido, a lembrança era dos dias em que seu coração parecia querer pular fora do peito. Uma louca paixão.

A recordação do nascimento do primeiro filho lhe trouxe à mente um sentimento que superou tudo que havia sentido, até então: um amor especial.

E quando esse filho se casou, seu coração doeu muito. Parecia que o iria perder. Logo compreendera que o filho nascera para o mundo, não para si. E, afinal, sem muito tardar, surgiram outros amores, os netos.

Eles lhe haviam transformado o coração em doçura, numa relação feita de ternura.

Os anos transcorridos, o casal a sós e ela se deu conta de que o amor que sentia por seu marido havia se modificado.

Ele envelhecera, ela também. A paixão se transformara num doce sentimento de amizade.

Entendia, nessa rememoração, que o amor verdadeiro não ferve o tempo todo. Transforma-se, mas continua vivo.

Revivendo tantas experiências, percebeu que aprendera a amar a todos que a cercavam, de uma maneira mais tranquila, sem cobranças.

É como se tivesse conquistado mais equilíbrio na arte de amar.

*   *   *

Os amores familiares são os compromissos maiores da alma.

Os laços consanguíneos são conquistas que podemos concretizar para a eternidade.

Os laços de amizade surgem de simpatias naturais, que nos envolvem em desejos e sonhos que vêm e que vão.

Já o sentimento nobre da fraternidade, que nos deve acompanhar em todos os relacionamentos, é mais duradouro.

Preservar esse sentimento entre os seres que nos são queridos é o que demonstra maturidade, equilíbrio e bom senso.

Afinal, a fraternidade pura é o mais sublime dos sistemas de relações entre as almas.

Fraternidade quer dizer afeto de irmão para irmão, definindo o que na realidade somos: todos irmãos perante o Pai Celestial.

Ora reencarnamos em uma posição familiar, ora noutra, mas o que importa realmente é a nossa posição espiritual.

Deus é nosso Pai Criador, logo, como irmãos é que devemos nos amar.

Compondo a grande família universal, todas as formas de amor haverão de se fundir, um dia, em um grande e uníssono amor fraternal.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 141,
do livro
Pão Nosso, pelo Espírito Emmanuel, psicografia
de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.
Em 8.10.2016.

© Copyright - Momento Espírita - 2020 - Todos os direitos reservados - No ar desde 28/03/1998