Momento Espírita
Curitiba, 19 de Setembro de 2019
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ícone Trombetas modernas

Há mais de dois mil anos, quando Jesus estava entre nós, era comum as pessoas fazerem doações para os necessitados.

Cofres eram colocados numa determinada área dos templos denominada gazofilácio. Eles tinham bocas de metal em forma de grandes cones, conhecidos como trombetas.

Quando moedas eram lançadas neles, elas ressoavam e faziam barulho. Muitas vezes, ricos senhores jogavam suas moedas com estardalhaço, fazendo cantar as trombetas, com o objetivo de que as pessoas soubessem que estavam depositando ali grandes doações.

É a essas pessoas que Jesus Se refere, dizendo: Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.

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Fazer o bem pressupõe anonimato, silêncio dos próprios atos.

Aqueles que alardeiam o que fazem, buscam aprovação e admiração dos demais, e dessa forma o bem não é praticado com desinteresse. Agem para alimentar a vaidade e sobressair perante a comunidade.

É possível ver algumas ações de caridade, anunciadas nas trombetas modernas: espaços em que as pessoas noticiam o que fazem, como jornais, revistas e redes sociais.

Algumas chegam a produzir vídeos caseiros e postar na Internet. Neles, pode-se ver pessoas simples – muitas vezes constrangidas - recebendo doações de brinquedos, roupas, dinheiro, e agradecendo a quem fez a doação.

A isso não podemos chamar de caridade, porque a caridade não constrange, não expõe quem a recebe, nem exige reconhecimento.

Caridade verdadeira é um gesto de amor e respeito para com o semelhante. Um ato, cujo único interesse é ver o bem do próximo, sem aguardar retribuição ou reconhecimento.

Tal gesto é, também, caridade moral, pois não fere o amor próprio de quem recebe.

A verdadeira caridade é delicada e dissimula habilmente o benefício que oferta, evitando melindrar quem está em posição de recebê-la.

A verdadeira caridade não coloca quem a faz em posição de superioridade em relação ao que recebe, mas os iguala, porque é realizada entre irmãos.

Também é acompanhada de palavras afáveis, gentis, evitando aumentar o sofrimento de quem se encontra em necessidade.

A verdadeira caridade cala o que faz porque sabe que se hoje está em posição de ajudar, no passado talvez tenha estado em posição de receber.

E se, atualmente, pode oferecer algo ao próximo, sente-se grata a ele por lhe proporcionar a oportunidade de se tornar melhor e praticar o que o Mestre ensinou.

Por mais atrativas que sejam as trombetas modernas, promovendo pessoas com a desculpa de compartilhar boas ações, os que compreendem o verdadeiro sentido da caridade não se deixam seduzir e preferem o anonimato, compartilhando o bem que fazem, exclusivamente com quem realmente importa: Deus, nosso Pai.

Esse Pai amoroso e bom que oferece o ar, o sol, a chuva a todos. O Criador que dispôs as belezas da natureza e a cada dia prepara novas maravilhas, simplesmente para que Seus filhos sejam felizes, no bendito lar chamado Terra.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 13, de
O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. FEB
e no
Evangelho de Mateus,  cap. 6, versículo 2.
Em 3.2.2016.

 

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