Momento Espírita
Curitiba, 12 de Dezembro de 2018
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ícone Nossos jovens
 

Quando observamos jovens saindo das escolas, burlando a vigilância e as normas, tomarem de assalto os ônibus, sentando-se enquanto idosos ficam em pé; quando vemos adolescentes gritarem nas ruas, pensamos: O mundo está perdido.

Que se poderá esperar do futuro quando os cidadãos não se respeitam uns aos outros?

Que profissionais serão os que teremos, logo mais, no mercado, assim violentos e egoístas?

Quando vemos, nas madrugadas, jovens em bares ruidosos, onde circula a bebida alcoólica e a conversa menos digna, pensamos: Que mundo sem esperança teremos no amanhã.

Tal visão é, em verdade, muito pessimista. Em razão de alguns, consideramos o todo.

Esquecemos de olhar para outros jovens que são exemplos de desprendimento e ousadia moral.

Lemos, em revista internacional, a respeito de uma jovem inglesa que, aos 16 anos, tomou conhecimento dos campos da morte do Camboja, destroçado anos antes pela ação do Khmer Vermelho.

Para logo ela fez circular, na real academia de música, de Londres, onde estudava música, um abaixo-assinado sobre a crise.

Não estamos fazendo o bastante, dizia às colegas.

Um dia, uma delas lhe falou: Por que você não para de reclamar e toma uma atitude?

Ela tomou. Foi ao Camboja. Seu objetivo: tocar seu violino em nome da paz.

Aos 18 anos, sozinha, foi para a capital cambojana, após muita dificuldade para conseguir os vistos de entrada no país.

Visitou zonas de guerra, onde o Khmer Vermelho plantara minas no chão. Visitou orfanatos e hospitais. Viu árvores que cresciam dentro de casas abandonadas.

Casas que exibiam as marcas das balas. Ela quase podia sentir os Espíritos dos mortos andando pelas ruas.

Voltou a Londres, estudou o Khmer, a língua do Camboja e, em 1991, aos 19 anos de idade, formada pela Real Academia de Londres, ela retornou ao Camboja.

Queria ajudar a aliviar o sofrimento que via. Ofereceu-se para lecionar num programa de terapia musical para feridos na guerra.

Em 1994, fundou uma escola para crianças órfãs e deficientes. Algumas estavam tão traumatizadas que demoravam semanas para esboçar alguma reação.

Mesmo com as bombas riscando o céu da cidade, as aulas continuavam.

Em meio a farrapos de corpos, crianças em cadeiras de rodas, portadoras de poliomielite, sem pais, ela ama, ensinando-as a cantar, a tocar.

Ela é jovem e ali está, amando os filhos de ninguém, os filhos da guerra.

Seu objetivo: ensiná-los a viver, voltar a viver. Enquanto eles fazem os instrumentos musicais emitirem sons, ela os ensina a cantar a canção tradicional do Camboja, sobre a história de dois pássaros, perseguidos por um caçador.

Trata-se de uma grande batalha entre o bem e o mal. Essa história, aquelas crianças conhecem muito bem.

*   *   *

Emm 1998, Catherine Geach, organizou um concerto para que sete alunos levassem para a Europa a música do Camboja.

O objetivo maior da turnê era uma mensagem simples e profunda: Em memória de todos os artistas que morreram sob o domínio do Khmer Vermelho.

E para as crianças de hoje, que carregam a herança de seus ancestrais.

Enquanto existirem almas como a de Catherine, no mundo, a Terra prosseguirá na sua marcha pelo progresso maior, alcançando a paz, logo mais.

 

Redação do Momento Espírita, com base no artigo A música da esperança, publicado em Seleções Reader´s Digest, de maio de 1999.

Em 16.09.2010.

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