Momento Espírita
Curitiba, 21 de Outubro de 2020
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ícone O calor escaldante dos desertos da vida

O alimento e a bebida ingeridos por Cristo na última ceia foram importantes para sustentá-lO.

Eles não lhe dariam pão nem água durante o Seu tormento.

Sabia o que O aguardava, por isso nutriu-se calmamente para suportar o desfecho de Sua história.

Após a oração, foi sem medo ao encontro de Seus opositores. Entregou-Se espontaneamente.

Procurou um lugar tranquilo, sem o assédio da multidão, pois não desejava qualquer tipo de tumulto ou violência.

Não queria que nenhum dos Seus mais próximos corresse perigo.

Preocupou-Se até mesmo com a segurança dos homens encarregados de prendê-lO, pois censurou o ato agressivo de Pedro a um dos soldados.

O Mestre era tão dócil que por onde Ele passava florescia a paz, nunca a violência.

Os homens podiam ser agressivos com Ele, mas Ele não era agressivo com ninguém.

Um odor de tranquilidade invadia os ambientes em que transitava.

O amor que Jesus sentia pelo ser humano O protegia do calor escaldante dos desertos da vida.

Chegou ao impensável, ao aparentemente absurdo, de amar Seus próprios inimigos...

*   *   *

E como estamos nós? Como nos protegemos das altas temperaturas dos desertos da existência?

A tranquilidade de Jesus vinha de Sua moral elevada, sustentada por um amor incondicional por todos.

A calma do Mestre vinha de Sua fé, em nível tão elevado, que O fazia ser Um com o Pai.

Semeando amor, colhemos felicidade nos campos de Deus.

Sem a pretensão de receber recompensas na Terra, pelos atos nobres que praticamos, perceberemos que a consciência em paz é fortaleza indestrutível.

Amando, passaremos pelos suplícios da existência com mais equilíbrio.

Tal amor dá à alma em aprendizado uma certeza íntima imperturbável, segura de estar no caminho certo, e de não estar sozinha nestas paragens.

Amando, nunca estamos sós.

A Terra poderá nos oferecer solidão temporária, mas o mundo real, o mundo maior, nos dará a companhia dos grandes.

Se estamos em momento grave na existência, sofrendo ataque de inimigos do bem... lembremos de Jesus e de Seu exemplo precioso.

Quem ama e está nas sendas do bem, não tem porque pensar em vingança, em responder violência com violência.

Quem ama tem sempre um refrigério constante no íntimo, ao enfrentar o calor escaldante da crueldade alheia.

Quem ama e trilha os caminhos do bem, não precisa temer, assim como Jesus não temeu, em momento algum, o que O aguardava.

Sofreu, ao ver a fragilidade da alma humana tomando decisões ainda tão tolas, mas não teve medo, jamais, pois estava sempre acompanhado de um amor sem igual pela Humanidade inteira.

Ama e aguarda. Ama e confia. Ama e resiste.

Redação do Momento Espírita com base no cap. 6,
 do livro
O Mestre da sensibilidade, de Augusto Cury,
 ed. Academia de Inteligência.
Em 15.4.2020.

 

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